Reparo Borda-a-Borda da Valva Mitral (M-TEER)

Tratamento percutâneo da insuficiência mitral em pacientes selecionados, sem necessidade de cirurgia cardíaca aberta. Realizado em Salvador-BA pelo Dr. Adriano Tamazato (CRM-BA 34.395).

O que é o reparo borda-a-borda

O reparo borda-a-borda transcateter da valva mitral — conhecido na literatura como M-TEER (Mitral Transcatheter Edge-to-Edge Repair) — é uma técnica percutânea para tratamento da insuficiência mitral. A técnica reproduz, por via percutânea, o princípio cirúrgico descrito por Alfieri em 1991: aproximar os folhetos da valva mitral em sua borda livre, formando um duplo orifício e reduzindo o refluxo de sangue para o átrio esquerdo.

O procedimento é realizado pela veia femoral, sem incisão torácica e sem circulação extracorpórea. Constitui uma alternativa em pacientes cuja anatomia é compatível e nos quais o risco da cirurgia cardíaca convencional é considerado elevado.

Atualmente, há mais de um sistema disponível no mercado para realizar esta técnica — incluindo dispositivos como o MitraClip (Abbott) e o PASCAL (Edwards Lifesciences). A escolha entre eles é técnica, baseada em anatomia, mecanismo da insuficiência mitral e disponibilidade institucional. A indicação clínica é da técnica, não do dispositivo específico.

Quando o reparo borda-a-borda pode ser indicado

A indicação é definida individualmente, em equipe multiprofissional (heart team), com base em sintomas, achados clínicos e análise detalhada da valva mitral por ecocardiograma transtorácico e transesofágico.

  • Insuficiência mitral primária (degenerativa) grave sintomática em pacientes com risco cirúrgico alto ou proibitivo
  • Insuficiência mitral secundária (funcional) grave sintomática, apesar de terapia medicamentosa otimizada e ressincronização, quando indicada
  • Anatomia valvar compatível com a técnica, avaliada por imagem dedicada
  • Pacientes com insuficiência cardíaca por disfunção sistólica e regurgitação mitral significativa, em casos selecionados

Como o procedimento é realizado

O reparo borda-a-borda é realizado em sala de hemodinâmica, com anestesia geral, sob orientação simultânea de fluoroscopia e ecocardiograma transesofágico tridimensional. Por punção na veia femoral, o cateter é avançado até o átrio direito; em seguida, realiza-se a punção transeptal para alcançar o átrio esquerdo e posicionar o dispositivo na valva mitral.

O sistema é manipulado de modo a capturar os folhetos anterior e posterior da valva mitral, aproximando-os em sua borda livre. Forma-se assim um duplo orifício que reduz a regurgitação. Em alguns casos, mais de um dispositivo pode ser necessário, conforme a anatomia e o resultado intra-procedimento. O grau de redução da regurgitação é avaliado em tempo real pelo ecocardiograma, e o cateter é retirado ao final do procedimento.

A duração média varia de 2 a 3 horas, e o paciente costuma permanecer internado por 2 a 4 dias.

Resultados esperados e acompanhamento

O objetivo da técnica é reduzir o grau de regurgitação mitral, melhorar a capacidade funcional (cansaço, falta de ar) e, em casos selecionados, diminuir hospitalizações por insuficiência cardíaca. Os resultados individuais dependem de múltiplos fatores: causa da insuficiência mitral, função ventricular, comorbidades e adesão ao tratamento clínico associado.

O acompanhamento ambulatorial é fundamental e inclui retorno precoce, ecocardiograma de controle, ajuste de medicações e manejo das condições associadas (insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, hipertensão, diabetes).

Perguntas frequentes

O reparo borda-a-borda é a única opção para tratar insuficiência mitral?

Não. A cirurgia de plastia ou troca valvar continua sendo o tratamento de escolha para grande parte dos pacientes com indicação cirúrgica. O reparo borda-a-borda transcateter é uma alternativa quando o risco cirúrgico é alto ou proibitivo, ou em situações específicas. A escolha é individual e multiprofissional.

O dispositivo fica permanente no coração?

Sim. O implante é projetado para permanência. O tecido cardíaco se acomoda ao dispositivo nas semanas seguintes ao procedimento (endotelização), sem necessidade de troca rotineira.

Existe mais de um tipo de dispositivo?

Sim. Diferentes sistemas estão aprovados para a realização da técnica de reparo borda-a-borda. A escolha entre eles é técnica e considera a anatomia, o mecanismo da insuficiência mitral e a experiência da equipe — sempre buscando o melhor resultado individualizado.

Preciso tomar anticoagulante depois?

Costuma-se prescrever antiagregação plaquetária após o procedimento. Anticoagulação plena pode ser indicada em casos específicos, como fibrilação atrial associada. A conduta é individualizada.

Em quanto tempo retomo as atividades habituais?

O retorno gradual a atividades leves costuma ocorrer nos dias seguintes à alta. Atividades de maior esforço dependem da evolução clínica e da orientação médica em consulta.

Informação médica de caráter educativo

O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente informativa e educacional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Não constitui consulta médica nem substitui a avaliação presencial. Indicações, riscos e benefícios devem ser discutidos individualmente entre médico e paciente. Marcas comerciais eventualmente citadas têm finalidade exclusivamente didática, sem caráter promocional.

Responsável técnico: Dr. Adriano Tamazato — CRM-BA 34.395.

Agende uma avaliação

Se há indicação de avaliar tratamento para insuficiência mitral, agende uma consulta para discutir as opções disponíveis.