Oclusão Percutânea do Apêndice Atrial Esquerdo

Alternativa para prevenção de eventos tromboembólicos em pacientes com fibrilação atrial que não toleram ou têm contraindicação à anticoagulação oral. Realizada em Salvador-BA pelo Dr. Adriano Tamazato (CRM-BA 34.395).

O que é a oclusão do apêndice atrial esquerdo

Em pacientes com fibrilação atrial não valvar, mais de 90% dos coágulos que podem causar AVC se formam em uma estrutura anatômica chamada apêndice atrial esquerdo — uma pequena “bolsa” do átrio esquerdo. A oclusão percutânea consiste em implantar um dispositivo nessa estrutura para impedir que coágulos saiam dela e atinjam a circulação cerebral.

Trata-se de uma alternativa para pacientes que apresentam alto risco de AVC pela fibrilação atrial e, ao mesmo tempo, têm contraindicação, intolerância ou sangramentos relevantes durante o uso de anticoagulantes orais.

Quando o procedimento pode ser indicado

A indicação é multiprofissional e considera o risco tromboembólico (escore CHA2DS2-VASc), o risco de sangramento (HAS-BLED) e a história clínica individual.

  • Fibrilação atrial não valvar com alto risco de AVC
  • Contraindicação absoluta à anticoagulação oral (ex.: AVC hemorrágico prévio sem reversão da causa)
  • Sangramentos digestivos ou intracranianos recorrentes em vigência de anticoagulante
  • Intolerância clínica significativa aos anticoagulantes disponíveis
  • Profissões ou condições com alto risco de trauma que tornam a anticoagulação inviável, em casos selecionados

Como o procedimento é realizado

A oclusão é feita em sala de hemodinâmica, em geral sob anestesia geral, com orientação combinada de fluoroscopia e ecocardiograma transesofágico tridimensional. Por punção da veia femoral, cateteres são avançados até o átrio direito; em seguida, realiza-se a punção transeptal para acessar o átrio esquerdo.

O apêndice atrial é mapeado por imagem, e o dispositivo (geralmente um implante metálico revestido, com formato específico) é posicionado de modo a fechar completamente a entrada da estrutura. A correta posição é confirmada por imagem e por testes de estabilidade antes da liberação definitiva.

A duração média do procedimento é de 1 a 2 horas, e a internação costuma ser curta (24 a 48 horas em casos sem intercorrências).

Acompanhamento após o implante

Nos primeiros meses após o procedimento, o tecido cardíaco recobre o dispositivo (endotelização), o que é avaliado por ecocardiograma transesofágico de controle, geralmente entre 6 semanas e 6 meses, conforme o protocolo. Durante esse período inicial, costuma-se prescrever combinação de anticoagulante e/ou antiagregantes plaquetários por tempo determinado, seguidos de antiagregação isolada após confirmação do bom posicionamento e da endotelização.

O acompanhamento ambulatorial é fundamental para manter o controle da fibrilação atrial, das condições associadas (hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca) e dos fatores de risco para sangramento.

Perguntas frequentes

Vou poder parar o anticoagulante depois?

Após a endotelização completa do dispositivo e o protocolo individual de transição, parte significativa dos pacientes pode descontinuar o anticoagulante e manter apenas antiagregação plaquetária. A decisão é individualizada e baseada em imagem de controle.

O dispositivo é permanente?

Sim. O implante é projetado para permanência. O coração se acomoda ao dispositivo nas semanas seguintes, sem necessidade de troca rotineira.

Existe risco de AVC depois do implante?

O objetivo do procedimento é reduzir o risco de AVC relacionado à fibrilação atrial, mas não o elimina completamente, pois outras causas existem (aterosclerose, hipertensão, doença carotídea). O controle global dos fatores de risco segue importante.

Posso fazer ressonância magnética?

Os dispositivos modernos são compatíveis com ressonância magnética. Sempre informe a equipe sobre o implante e leve o cartão do dispositivo nas avaliações.

Informação médica de caráter educativo

O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente informativa e educacional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Não constitui consulta médica nem substitui a avaliação presencial. Indicações, riscos e benefícios devem ser discutidos individualmente entre médico e paciente.

Responsável técnico: Dr. Adriano Tamazato — CRM-BA 34.395.

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Se você tem fibrilação atrial e dificuldade com o uso de anticoagulantes, agende uma avaliação para discutir a indicação da oclusão do apêndice atrial.