Oclusão Percutânea de Comunicação Interatrial (CIA)

Fechamento minimamente invasivo da comunicação interatrial em pacientes selecionados, sem cirurgia cardíaca aberta. Realizado em Salvador-BA pelo Dr. Adriano Tamazato (CRM-BA 34.395).

O que é a comunicação interatrial

A comunicação interatrial (CIA) é uma cardiopatia congênita caracterizada pela presença de uma abertura anormal entre os dois átrios do coração — uma falha no septo interatrial. Diferente do forame oval patente, que é uma comunicação natural fetal, a CIA é um defeito estrutural verdadeiro do septo.

Quando a CIA é hemodinamicamente significativa, parte do sangue oxigenado do átrio esquerdo passa para o átrio direito, sobrecarregando a circulação pulmonar e o ventrículo direito. Com o tempo, pode levar a dilatação das câmaras direitas, hipertensão pulmonar, arritmias atriais (como fibrilação atrial) e sintomas como dispneia aos esforços, palpitações e fadiga.

O subtipo mais comum, e que pode ser tratado por via percutânea, é a CIA tipo ostium secundum. Outros subtipos (ostium primum, seio venoso, seio coronário) geralmente requerem correção cirúrgica.

Quando o fechamento é indicado

A indicação considera o tamanho do defeito, a repercussão hemodinâmica, sintomas e características anatômicas. A avaliação inclui ecocardiograma transtorácico e, frequentemente, ecocardiograma transesofágico.

  • CIA tipo ostium secundum hemodinamicamente significativa
  • Dilatação do ventrículo direito ou sobrecarga de câmaras direitas
  • Sintomas atribuíveis ao defeito (dispneia, redução da capacidade funcional, arritmias)
  • Anatomia compatível com fechamento percutâneo (margens adequadas no septo)
  • Pressão pulmonar dentro de critérios de elegibilidade

Como o procedimento é realizado

O fechamento percutâneo da CIA é realizado em sala de hemodinâmica, sob anestesia geral, com orientação por fluoroscopia e ecocardiograma (transesofágico ou intracardíaco). O acesso é feito pela veia femoral.

Após a medida precisa do defeito (com balão de medição, se necessário), um dispositivo metálico revestido em formato de duplo disco é avançado e posicionado de modo a ocluir a comunicação. Os discos se acomodam em cada átrio, ancorando-se no septo. Nas semanas seguintes ao implante, ocorre a endotelização — o tecido cardíaco recobre o dispositivo, integrando-o à parede septal.

A duração média do procedimento é de 1 a 2 horas. A internação costuma ser de 24 a 48 horas. O retorno a atividades habituais ocorre gradualmente nas semanas seguintes.

Resultados e acompanhamento

O fechamento percutâneo da CIA ostium secundum tem taxas elevadas de sucesso técnico em casos bem indicados. A normalização do tamanho do ventrículo direito ocorre na maioria dos pacientes nos meses seguintes ao procedimento, com melhora dos sintomas e da capacidade funcional.

Após o procedimento, prescreve-se antiagregação plaquetária por período definido (em geral, 6 meses). O acompanhamento ambulatorial inclui ecocardiograma de controle e monitoramento de eventuais arritmias atriais residuais.

Perguntas frequentes

Toda CIA precisa ser fechada?

Não. CIAs pequenas sem repercussão hemodinâmica podem ser apenas acompanhadas. A indicação de fechamento é individualizada e baseada em critérios clínicos e ecocardiográficos.

Adultos também podem fazer o procedimento?

Sim. CIAs diagnosticadas em adultos podem ser tratadas por via percutânea quando os critérios técnicos e clínicos são atendidos. Em muitos casos o procedimento é realizado após sintomas surgirem na idade adulta.

O dispositivo causa rejeição?

Os materiais utilizados (em geral nitinol revestido) são biocompatíveis e bem tolerados. Reações alérgicas são raras. A escolha do dispositivo considera o histórico de cada paciente.

Em quanto tempo posso retomar exercícios?

Atividades leves costumam ser retomadas em poucos dias. Exercícios de maior intensidade dependem da evolução clínica e da orientação médica em consulta, geralmente nas primeiras semanas a meses após o procedimento.

Informação médica de caráter educativo

O conteúdo desta página tem finalidade exclusivamente informativa e educacional, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Não constitui consulta médica nem substitui a avaliação presencial. Indicações, riscos e benefícios devem ser discutidos individualmente entre médico e paciente.

Responsável técnico: Dr. Adriano Tamazato — CRM-BA 34.395.

Agende uma avaliação

Pacientes com diagnóstico de comunicação interatrial podem se beneficiar de avaliação cardiológica especializada para discussão das opções terapêuticas.